Para onde foi aquele tempo que se esvaiu na poeira da estrada?
Estou aqui, parada nos soluços do tempo, com os ponteiros do relógio a massacrar, a fazer avançar as horas. Sem saber por que motivo a memória daqueles dias surge, tão viva e tão ácida! E aquela mùsica tão viva a ecoar pelos recantos do meu cérebro...
E eu, sem saber por que razão esta angústia me vai moendo o interior, e por que este frio se apodera de mim. Sem saber por que correr, por que lutar. Em segundos tudo muda, o tempo tudo determina, de tudo é Senhor. E se num momento sei o que há a fazer, noutro não sei sequer porque existo...e o que depois de mim ficará. Fará sentido estar sem deixar uma marca? Uma dádiva de nós a nós mesmos e a quem nascerá depois?
Para onde foi o tempo de pó, de sonhos nacarados, que depois da fúria com que se ergueu, assentou sem mais dar sinais de si?


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